
”A alma, ao contrário do que tu supões, é exterior:
envolve e impregna o corpo
como um fluido envolve a matéria.
Em certos homens a alma chega a ser visível,
a atmosfera que os rodeia tomar cor.
Há seres cuja alma é uma contínua exalação:
arrastam-na como um cometa ao oiro
esparralhado da cauda - imensa, dorida, frenética.
Há os cuja alma é de uma sensibilidade extrema:
sentem em si todo o universo.
Daí também simpatias e antipatias súbitas
quando duas almas se tocam,
mesmo antes da matéria comunicar.
O amor não é senão a impregnação desses fluidos,
formando uma só alma,
como o ódio é a repulsão dessa névoa sensível.
Assim é que o homem faz
parte da estrela e a estrela de Deus”.
(Raul Germano Brandão)